Energia fotovoltaica nos dois núcleos: a fazenda que gera a própria eletricidade
Secagem, armazenagem, beneficiamento e oficina consomem energia o ano inteiro. Gerar parte dela no próprio local reduz custo, emissões e dependência da rede. Por que a ASKJ investiu em geração solar e o que isso representa para a operação.

Uma operação agrícola não gasta energia apenas na lavoura. Secadores de grãos, elevadores, ventiladores de aeração dos silos, unidade de beneficiamento de sementes, oficina mecânica, bombas, escritório e a estrutura da SSA Biofarm funcionam o ano inteiro, com picos na colheita e no período de armazenagem. Nos núcleos Serra Dourada e Palmeiras, parte dessa demanda é atendida por geração fotovoltaica instalada nas próprias fazendas.
Onde a energia é consumida
A secagem é o maior consumidor. O grão colhido chega com umidade acima da ideal para armazenar e precisa passar por secadores que combinam calor e ventilação. Depois, a aeração mantém a massa de grãos em temperatura e umidade estáveis dentro do silo, por semanas ou meses, até a comercialização. A unidade de beneficiamento de sementes, no Núcleo Serra Dourada, classifica, limpa e trata as sementes com máquinas elétricas. A oficina do Núcleo Palmeiras mantém a frota. A Biofarm exige temperatura controlada para multiplicar microrganismos.
Em uma operação que colhe soja entre janeiro e março e milho entre junho e julho, e que armazena parte da produção para vender ao longo do ano, a energia é um custo fixo relevante e um ponto de vulnerabilidade: uma queda de rede no meio da secagem compromete a qualidade de um lote inteiro.
Por que gerar no local
No interior do Tocantins, a distância das subestações encarece a energia e torna a rede mais sensível a oscilações e quedas, em especial na estação chuvosa. Produzir eletricidade a partir do sol, abundante na região durante quase todo o ano, oferece três ganhos ao mesmo tempo:
- Menor custo por saca armazenada e beneficiada, com a energia gerada no local compensando o consumo da rede.
- Menor emissão de gases de efeito estufa associada à operação, o que melhora o balanço de carbono do grão entregue.
- Maior previsibilidade para processos que não podem parar, com a geração própria reduzindo a exposição às falhas da distribuição.
A geração fotovoltaica opera no sistema de compensação: a energia produzida durante o dia abastece as estruturas e o excedente é injetado na rede e abatido do consumo noturno. Nos meses de seca, de maio a setembro, quando a insolação é maior e a colheita do milho e a armazenagem exigem mais eletricidade, a geração é mais alta exatamente quando é mais necessária.
Responsabilidade também gera produtividade. Uma estrutura que custa menos para funcionar e emite menos para produzir é mais competitiva, não menos.
Energia como parte da estratégia de baixo carbono
A agricultura de baixa emissão de carbono se apoia em práticas que a ASKJ já adota: plantio direto, que mantém o carbono no solo; rotação com braquiária, que acumula matéria orgânica; fixação biológica de nitrogênio, que reduz a adubação nitrogenada e as emissões associadas à sua fabricação e aplicação; e energia renovável nas estruturas. Cada uma reduz uma parte da pegada do grão. Juntas, formam um sistema que pode ser medido e demonstrado.
Esse ponto importa para o mercado. Indústrias de alimentos e redes varejistas passaram a calcular as emissões de toda a cadeia de seus produtos e a buscar fornecedores com menor pegada. Instituições financeiras oferecem linhas específicas para agricultura de baixo carbono. Um fornecedor que gera a própria energia e documenta isso entra nessas conversas com vantagem.
O que o investimento exigiu
Instalar geração fotovoltaica em uma fazenda envolve projeto elétrico, licenciamento, homologação com a distribuidora de energia e conexão à rede. Cada etapa tem prazo próprio e, no interior, costuma demorar mais do que o previsto. A ASKJ tratou o projeto como qualquer investimento estruturante: análise de retorno, aprovação pelos sócios, cronograma com folga para as etapas que dependem de terceiros e acompanhamento dos resultados depois da instalação.
Medir para comprovar
Sustentabilidade se comprova na prática. A ASKJ acompanha, por safra, a energia consumida, a energia gerada e a economia obtida, e pretende publicar esses indicadores na seção de Sustentabilidade do site, junto com os dados de produção e de emprego. Medir consumo, geração e economia safra após safra é a forma de transformar uma instalação em resultado, e um resultado em argumento para quem compra, financia ou avalia a origem do que consome.


